Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005

Pergunto...

Pergunto-me constantemente porque não me olhas nos olhos, é algo que me deixa incomodado, e sei que percebes isso.

No outro dia falei contigo, nem sequer era sobre nós, e nunca, mas em nenhum momento, enfrentaste o meu olhar.

É tão estranho sentir que me ouves e não me vês, é como se nem estivesses ali ao pé de mim.

E se te pergunto, fazes de conta que nem havias percebido o facto, contemplas-me de relance, com um olhar que atravessa o meu corpo.

Não sei como chegar até ti!

Quando chegas de manhã os teus bons dias são rápidos e generosos, nem sequer te dignas piscar-me o olho, como em tempos me habituei.

Observo-te pelos vidros do gabinete, mando-te mails, passo à tua frente vezes sem conta, conto-te as minhas últimas compras, faço comentários de futebol, peço-te uma bolacha, uma “trinca” da tua maçã.

Sei que me vês a fazer tudo isto (ainda me lembro da tua visão periférica!),no entanto, raramente respondes aos meus mails, e se o fazes é através de um comentário seco e que bem podia ser para o padre da freguesia, nunca te apercebes se as roupas que visto são novas, no futebol o nosso clube já não é assunto que nos sirva de desculpa para namorar, as bolachas sou eu que as retiro do pacote que fica na última gaveta, enquanto me viras costas para buscar uma qualquer impressão que apenas nesse instante te lembras de pedir, a maçã posso bem comê-la sozinho, pois sei que já não voltas a mordê-la.

Hoje regressaste do almoço em cima da hora, vinhas a falar ao telemóvel com uma voz meiguinha que me fez morder o lábio de raiva. Desligaste o telefone a sorrir, com a voz sussurrada dos amantes, e suspiraste no fim.

Com quem falavas?

Qual seria o tema da conversa?

Porque sorriste?

Que ouviste que te fez suspirar?

Hoje ao fim da tarde vi-te tirar as moedas para o café, fui atrás de ti, até ao refeitório, queria estar contigo, roubar-te um beijo, cheirar-te, sentir o teu corpo apertado contra o meu, respirar-te, ver-te corar enquanto fugirias devagarinho para logo te aconchegares em mim.

A tua cara quando me viste entrar!!!

Não estavas mesmo à espera, pois não?

O facto de eu aparecer foi uma surpresa para ti e não percebo porquê.

Engoliste o café quente, que sei detestas tomar assim, e logo te encaminhaste para a porta, sem mesmo te fazeres a mim, nem com um olhar.

Feito menino, ainda te falei, fazendo-te ver que não havias comentado as botas novas, ao que respondeste que eram bonitas, e que iria ter sempre os pés quentes, despachando o assunto, e deixando-me a falar sozinho.

A porta fechou-se nas tuas costas.

Ou será que se fechou na minha cara?

Minutos depois ouvi-te a rir, bem disposta, apressei o passo e ainda vi de relance os olhos brilhantes, o rosto vibrante, o passo apressado como que a afastares-te de mim.

Bem sei, que é tua vontade não ficarmos juntos, mas no passado, nunca foi impedimento para as recaídas, sempre apaixonadas e viciantes.

Sabes que me viciei nos teus beijos?

Como foram as tuas palavras?

“... pensei bastante, e não vejo qualquer possibilidade de algum dia sermos felizes juntos, não posso continuar iludida, e sobretudo a alimentar-me de ilusões que só me fazem mal.... ambos temos as nossas vidas e como tal temos que respeitar quem nos acompanha...”

Se ao menos tivesses percebido como detestei o que escreveste!!! Cheguei a odiar-te naquele momento, não porque não te compreendesse, mas porque te senti fria e distante, de uma forma que eu nunca tinha experimentado.

Nem quando éramos apenas colegas de trabalho e eu te chateava e te fazia chorar com a minha rudeza e falta de sensibilidade!!!!

Acho que me habituei a ter-te sempre minha, fiel, leal e apaixonada.

Sinto-te tão longe de mim.

Já não me amas?

...












publicado por eu34 às 19:55
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