Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

Vai Linda ... (eu espero).

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(foto: Martin Klepcki)

Um dia quando eu for grande quero deitar a cabeça no sossego alvo da minha almofada, fechar os olhos, e sentir que está tudo bem.

Nesse dia vou relembrar o cheiro do teu pescoço quente, das tuas mãos suaves, da tua face doce, do toque da tua pele morena e tão suave que faz lembrar a seda.

Depois vou ouvir as tuas palavras, sentir o tom da tua voz e recordar com saudade a forma como me chamavas.

Vou recordar a primeira vez que te vi e amei.

Vou sentir a primeira vez que te peguei.

Vou saudar o primeiro choro que te ouvi.

Vou chorar pela dor que senti quando a tua boca tocou o meu peito.

Vou sorrir pelos sorrisos que me deste.

Vou lembrar as gargalhadas que partilhámos.

Vou…

E depois abro os olhos, e na minha frente estarás tu!

Mulher feita, filha muito amada que com olhos tristes me afagarás o rosto, sem perceberes que a saudade que me aperta o peito vem desde aquele dia em que nasceste, rasgando as minhas carnes, num choro perfeito de vida.

Pois, ali naquele instante, nasceste única, forte e decidida, não me restando sequer a veleidade egoísta e maternal de algum te achar minha.

E então, nesse leito do descanso final recordarei também outros momentos de saudade, como aquele que vivo hoje, véspera da tua partida, como escuteira de uma vida pequenina.

E como fico feliz de saber deixar-te ir, mais feliz serei sempre que te vir voltar, pois ainda faltam muitos segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos que me permitirão usufruir da tua existência e confortar-me com o teu olhar meigo e doce.


Para ti, minha filha, apenas desejo que vivas o que quer que o sonho te faça procurar, e na certeza de que ao teu lado, acompanharei o teu caminho.

E no dia em que deixares de me ver, saberás que olharei sempre por ti.

...

“- Amo-te muito!”

“- Também te amo Mãe!.”

“- Eu amo-te mais ainda, Filha!.”

“ – Pronto, Mãe tá bem!!!!... Agora já posso ir?” – impaciente e um pouco envergonhada respondes-me”

“ – Vai linda – grito para o autocarro apinhado (enquanto baixinho os meus olhos pedem “Volta depressa minha menina!”).






publicado por eu34 às 17:20
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