Quarta-feira, 9 de Março de 2005

Chovia...

Estava a chover.

Apetecia-me namorar.

Estava desejosa de sair para a rua, sentir as gotas da água limpando o meu rosto afogueado de um prazer tantas vezes fantasiado.

Vesti os jeans de cinta descaída, que deixavam ver 1 barriga morena.

A minha pele estava quente e macia.

Olhei-me no espelho e observei as mamas empinadas, os mamilos negros e túrgidos.

A corrente de ar vinda da janela fazia-me sentir quase tocada.

Caminhei pelo quarto em direcção ao roupeiro onde procurei 1 camisa branca.

Pensei no que iria calçar e resolvi que seriam as botas castanhas, salto alto e pontiagudo.

Penteei-me, passei brilho nos lábios e saí de casa.

Estava nua por baixo do socialmente correcto que m permitiria caminhar na rua (com os dedos percorri os mamilos empinados e desejei que se mantivessem assim…).

Queria ser vista, queria estar tesuda aos olhos de alguém.

Alguém iria perceber os sinais do meu corpo e iria olhar-me, iria escolher-me.

Eu iria vê-lo… apetecia-me foder.

Procurei estacionar junto à praia, onde andam os homens solitários.

Estava só mas sentia a sua presença a chegar, ansiava vê-lo.

Iria olhar para mim? Aquele que eu iria escolher.

Saio do carro e respiro o cheiro do mar, sinto o sal que percorre o espaço que ocupo, fecho o carro e começo a caminhar.

Arrepio-me, quase que o sinto, não sei o que esperar.

Olho para o mar, e revejo-me na sua força, e no mesmo instante sinto o medo que esse oceano provoca.

Ou será o meu medo?

Estou excitada, olho em volta.

Ali, sentado no café, resguardado do vento e da maresia, distraído, parece-me até um pouco perdido.

È ele.

O homem que vou escolher.

Sente-se observado e desvia o olhar em direcção a mim.

Sorrio e espero.

Caminho de volta para o meu carro e confio que ele não deixará de me procurar no estacionamento.

Sento-me e espero.

Ligo o rádio, e ouço Norah Jones.

Uma sombra de luz tapa o horizonte.

È ele.

Olha-me inquisidor.

Quase que sinto o seu pensamento, procurando-me nas suas recordações, no seu diário de imagens, certamente pensa que já me viu em qualquer lado.

Aguento estoicamente o seu olhar, e aguardo que dê o passo que quero que ele dê.

Não poderá ser de outra forma, ele tem de ser o caçador, o homem escolhe (mesmo não sabendo que já foi escolhido).

Sorrio, envergonhada, consigo até corar.

A excitação percorre-me e o meu rosto fica brilhante de cor e quente de expectativa.

Ele sorri e eu retribuo com prazer.

Muito prazer.

….

Pronto já está!

…

Olá, diz ele, enquanto abro o vidro do carro e convincentemente fico nervosa.

- Vamos tomar um café? – Pergunta sorridente, com a boca gulosa e salivante.

- Já tomei e não me faz bem repetir – tímida e expectante, respondo.

- O que é que lhe faz bem então? – Enquanto coloca a mão sobre a ranhura do vidro, reparo que tem mãos com dedos longos, alguns pêlos cobrem as costas da mão e escondem-se sob a sweat gasta de lavagens à máquina, fazendo adivinhar uma penugem macia, discreta e real.

“Ainda bem”, penso eu, “não gosto de imberbes.”

- Um beijo! - Respondo.

- Quente, profundo e molhado - acrescenta olhando directamente nos meus olhos escuros.

Admirados pressentimos o desejo que chega, fazendo esquecer a chuva que nos molha, e reavivando um calor que queremos.

Abre a porta do carro e ergo-me para ele.

Não espera, e toca-me os mamilos excitados, reafirmando o seu poder sob a camisa branca.

Aperta-os, ambas as mãos esfregam e reconhecem terrenos inexplorados, polegar e indicador apertam e magoam delicadamente cada um deles, fazendo-os desejar o toque da sua boca.

Ele olha-me nos olhos e aproxima a boca, lábios grossos, sorriso escondido num olhar atrevido.

Molho os meus lábios secos, e com a língua faço um exercício sedutor, tantas vezes ensaiado.

Lambo-o, molho a boca que me deseja e que eu quero.

Lábios frios, línguas molhadas, sequiosas, encontram-se e lambem-se, provam-se, dançam, descobrem recantos, retiram o ar que nos fez chegar até aqui.

Pega-me pela mão, retira as chaves do meu carro e tranca-o.

Obediente, sigo-o, faz-me sentar no banco do carro dele, e retoma o lugar de condutor que nos vai levar a algum lado.

Dá-me as chaves que guardo na mala que não deixei de segurar, qual escudo protector.

…

Não sei onde será, nem como será!!!

Desejo lá chegar.

Nervoso, mas seguro, manobra o carro e conduz-nos por entre as ruas antigas de uma cidade à beira mar.

A minha mão repousa na sua perna, ele não dá conta e de vez em quando acaricia-a, é uma sensação quase reconfortante.

Nunca me olha.

Resisto.

Sinto que entramos num local escuro, pressinto que seja uma garagem, e de qualquer lado, talvez do meu último resquício de bom senso, toca um alarme, tenho medo.

Ele sabe o que eu quero. Não vou fugir.

Não me toca, apenas m conduz com a aragem do seu corpo.

Juntos num elevador que me vai levar a um destino que não conheço.

Entra, deixa-me sozinha no hall enquanto sozinho segue para destinos que lhe pertencem.

Sigo-o e encontro-o na sala, despida de vida, cheia dele.

Está nu. Magnifico. Dando-se sem esconderijos, certo do seu poder, confiando na minha vontade.

Desejo-o tanto.

Descalço-me, sem nunca deixando de apreciar a vista que me proporciona, ele gosta disso e sinto-o.

O ritual de me despir segue a ordem em que me vesti, abrindo os botões do camiseiro, lentamente, deixando-o escorregar para o chão, descobrindo a pele que tentou adivinhar junto ao mar.

Ofegante, apercebo-me do seu sexo duro e pronto, quase que o sinto dentro de mim.

O meu sexo vibrante escorre vida e tesão. Estou encharcada de sexo. O cheiro entra em mim. As narinas pressentem e abrem-se. Como eu me abro para ele.

Desaperto as calças.

Caminho até ele e toco o seu rosto.

Vai falar.

Não.

Não quero falar com ele.

Não quero que fale comigo.

Beija-me! – Exijo.

Cumpre rigorosamente o meu pedido exigente, e segura-me, sabe que já sou dele, sabe que apenas precisa de me marcar.

Deita-se comigo no chão coberto por um tapete macio, concerteza cúmplice de outras tardes de chuvas ou frio.

De lado, olhamos os nossos corpos, distendidos e carentes de toques, línguas, saliva e cheiros.

Deitasse e faz-me rodear o seu corpo, penetrando-me lentamente.

Sexo com sexo.

Carne com carne.

Sexo em sexo.

Carne em carne.

Vidas que se tocam.

Rebenta-me duro e grosso.

Bruto vai rasgando o meu corpo, sem apoios, ocupando o espaço que lhe dou, que procura.

Concentrados no centro dos nossos corpos…

Eu sinto dor, fina, tangível, doce, faz-me querer prolongar o seu tempo.

Ele sente um espaço apertado, desconhecido que se adapta rapidamente, orgulhoso mantém-se dentro de mim.

Sem movimentos escolhidos e ordenados, sinto o seu latejar inconsciente que grita o movimento que ambos desejamos.

Ergo-me devagar, sem que o seu membro saia de mim, e enterro-me.

Enterro-me literalmente.

De tal forma que grito de dor, pelo contacto, de tal forma profundo, que me sinto trespassada.

O movimento é de tal forma duro que, por momentos, aquele homem procura em si o que está prestes a perder.

Agarra-me as nádegas.

Ergue-se apoiado no meu corpo e beija-me, estou de tal forma envolvida nele que nem sinto o meu corpo.

Enganchados como aranhas, pernas que começam onde outras acabam.

Sexos que se chocam, colam, molham, respiram odores, e texturas.

Aperta-me os mamilos, chupa-os de tal forma que sinto carne que se rasga, dor louca e excitante.

Vida em vida, iniciámos um caminho, uma cavalgada de encostos, de corpos quentes, molhados, transpirados, em que misturamos o nosso suor, o nosso desejo, a nossa humidade.

Estou completamente despedaçada, estou fora de mim.

…

Estás em mim, sinto que te vens a qualquer instante.

Apetece-me gritar.

Grito.

Quase sais de mim.

Sentes-me frenética e seguras-me.

Mas não paras.

“Por favor, não pares”… o meu corpo grita em silêncio por entre gemidos e sensações.

Em segundos sinto que te vou esquecer, que vais desaparecer e serei só eu e o meu desejo, e o meu corpo e o meu orgasmo.

Quero sentir-te, ver-te em agonia, num prazer que te dou e que soubeste buscar.

Paro.

Ofegantes… olhamo-nos

Bates dentro de mim.

Rodeio-te e quero-te, a ocupar o meu espaço molhado.

Atacas-me, levantas o meu rabo, forças-me contra ti, perdido de prazer vais até ao fim.

Não pares, não pares.

Venho-me, roças-me tanto, tanto, que me venho louca, de tal forma excitada que não respiro, assustada deixo-me ir, e deixo-te vir contra mim, em mim.

Vens-te poderosos, cheio, dentro de mim, …

Jorros de vida, …

Anda… vem-te…. Rebenta-me… afoga-me na tua vida… Não deixes o meu corpo…. Em todo o lado, por todo o lado, o teu sémen, a tua esporra ocupa cada pedacinho de mim, casa rego, cada linha….

Exausto cais sobre mim, e tentas deixar-me, aperto-te, aperto-me…

Não vás ainda!

És meu…ainda.

Beijamo-nos como se cada um de nós fosse a sede do outro e a água que ambos necessitamos.

Deixo-me estar molinha, lânguida, excitada, latejante e feliz…

Sim, estou feliz.

Saio, o teu sexo, mole, vermelho, brilhante, fica estendido.

Beijo-o profundamente.

Levanto-me.

A tua vida escorre por entre as minhas pernas.

Provo-te.

…

Sei que olhas para mim.

Chamo um táxi.

Visto-me com o teu sexo ainda a escorrer, o teu cheiro entranhado.

È assim que quero chegar em casa, para tomar o meu banho, na minha casa.

…

Quase adormecido queres falar, mas… não quero.

Saio.

Sem olhar para trás, já tenho saudades de nós.

…

Em casa sorrio.

Algum dia voltaremos a estar juntos de novo.

…

Quero mais de ti, porque quero mais de mim.

…





na: este artigo foi previamente publicado no blog "xupanupipi.blogs.sapo.pt", a quem sempre estarei reconhecida


publicado por eu34 às 16:52
link do post | obrigada pela visita | favorito
2 comentários:
De Anónimo a 23 de Março de 2005 às 13:05
Já tinha lido mas foi bom reler...Zuco
(http://www.citizenzuko.blogs.sapo.pt)
(mailto:zuco40@yahoo.com)
De Anónimo a 9 de Março de 2005 às 18:56
Real? é que se é... pôrra, vou tantas vezes à praia e não vem nada disto à rede...mas diga-se que tambem quando vou, não vou para pescar...potente, gosteimulherde30
</a>
(mailto:rakel30@sapo.pt)

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